domingo, 25 de fevereiro de 2018

Cataki, o "Tinder" da reciclagem vence prêmio internacional

Um aplicativo chamado Cataki, disponível para Android e iOS, foi reconhecido na semana passada com o prêmio de inovação do fórum Netexplo, que é concedido anualmente para projetos de tecnologia com maior impacto social e nos negócios. 

A ferramenta sem fins lucrativos funciona essencialmente como um “Tinder da reciclagem”. Pessoas que precisam descartar materiais recicláveis — tais como móveis velhos, eletrônicos antigos, entulho e restos de poda — podem encontrar catadores independentes disponíveis para transportar esses materiais. Essas pessoas farão o descarte adequado do lixo, destinando-o a locais apropriados ou para reciclagem. 



"Lutamos pelo reconhecimento dos catadores de lixo, que são verdadeiros agentes ambientais. O app é uma forma alternativa de aumentar a renda dos catadores com um benefício ambiental sem preço", comentou o grafiteiro ativista Mundano, idealizador do Cataki, durante a cerimônia de premiação na sede da Unesco, em Paris. 

Ao todo, já são mais de 300 catadores registrados em mais de 30 cidades brasileiras. Como a ferramenta é destinada a uma população vulnerável, ela não requer que os catadores tenham um smartphone sempre consigo. O usuário procura uma pessoa nas proximidades para fazer o descarte de determinado material e, quando encontra alguém, acessa os contatos do catador para fazer uma ligação. 

"Como se trata de uma população muito vulnerável que ainda sofre com a exclusão digital, nós pensamos num conceito colaborativo que não demandaria muita tecnologia e sem nenhuma barreira de entrada", explica Breno Castro Alves, coordenador do projeto. 

"O Cataki propõe um contato real, permitindo que pessoas de diferentes classes sociais conversem sobre um problema comum", conclui. Nesse contato inicial, data e hora do serviço são agendados, e os catadores combinam com seus clientes o preço adequado para a realização do transporte do material. 

Os idealizadores do app arrecadaram R$ 160 mil para desenvolver a ferramenta e inscreveram seu projeto no prêmio de inovações tecnológicas do Netexplo, um observatório independente de estudos sobre o impacto de tecnologias na sociedade e nos negócios, parceiro da Unesco. Segundo a Deutsche Welle, mais de dois mil projetos de várias partes do mundo foram avaliados pela comissão do Netexplo, e o Cataki foi o vencedor.



sábado, 17 de fevereiro de 2018

Diretor de escola pública do interior paulista é finalista do Global Teacher Prize, o “Nobel” da Educação






O brasileiro Diego Mahfouz Faria Lima, diretor da Escola Municipal Darcy Ribeiro, em São José do Rio Preto, São Paulo, foi anunciado esta semana como um dos dez finalistas do Global Teacher Prize, premiação anual, criada em 2014, pela Varkey Foundation. 

O prêmio, considerado um Nobel da Educação, tem como objetivo valorizar a profissão de professores e gestores, reconhecendo práticas inovadoras e exemplares nas escolas e desta maneira, inspirar estudantes, comunidades e meio acadêmico. 

Este ano, a competição recebeu a inscrição de 30 mil educadores, de 173 países. Entre diversos critérios de avaliação, os finalistas foram selecionados, principalmente, a partir de sua habilidade em inspirar os estudantes a aprender e os resultados concretos obtidos na sala de aula. 

Diego foi escolhido devido ao seu projeto “Minha escola: reconstrução coletiva“. Quando chegou na Escola Darcy Ribeiro para ser diretor, ela era considerada uma das piores do estado. Segundo ele, as salas de aula estavam pichadas e algumas, incendiadas. Já havia acontecido vários casos de violência no local. “No meu primeiro dia de trabalho, colocaram fogo no banheiro, jogaram água e maçãs em mim”, relembra. “Minha atitude simplesmente foi dizer que confiava neles, que eu não ia embora e queria ouvi-los”. 

Os relatos dos alunos eram que a escola era muito feia e punitiva. Pois Lima decidiu mudar isso. Mesmo com pouquíssimos recursos financeiros, com a ajuda da comunidade, o diretor reformou a escola. “Os pais estiverem presentes e com isso, surgiu um sentimento de pertencimento e respeito entre os estudantes”, diz.

Um local utilizado para consumo de drogas foi revitalizado e transformado em praça de leitura. E através do trabalho direto de Diego como mediador de conflitos, ele conseguiu reduzir a evasão escolar e o bullying. 

Graças ao seu esforço, dedicação e persistência, após 1 ano e quatro meses, o diretor da escola municipal paulista começou a colher os resultados de sua gestão participativa e democrática. 

Em 2015, Diego já havia recebido o Prêmio Educador Nota 10, iniciativa da Fundação Victor Civita e da Fundação Roberto Marinho, que reconhece o trabalho dos melhores professores e gestores do país.  

Este é o terceiro ano consecutivo que um brasileiro fica entre os dez finalistas ao prêmio internacional de educação. No ano passado, foi a vez do professor capixaba, Wemerson da Silva Nogueira, de 26 anos, ficar entre os dez finalistas. 

O trabalho desses profissionais é realmente inspirador, principalmente em um país, com seríssimos problemas na área de educação e que, infelizmente, ainda não os valoriza e nem os remunera da maneira adequada. Parabéns a eles!